À medida que chego perto da conclusão de Never Let Me Go, livro de Kazuo Ishiguro que venho lendo nos últimos tempos, é notável como a minha capacidade de absorção dramática de outras histórias diminui. O magnetismo daquela história me chama, e deixo de assistir a filmes ou de ler qualquer outra coisa, sugado pelo estilo simples e magistralmente orquestrado de Ishiguro (que, apesar do nome, é londrino).
Ele brinca com a minha absorção das coisas, faz suspense, anuncia algumas coisas que logo conta e fala de outras corriqueiramente como se delas eu devesse saber, mas não sei (e nem saberei, pelo simples fato de ele querer que eu as descubra dentro de mim).
Enfim, o princípio é o mesmo de qualquer bom roteiro cinematográfico, o que talvez explique essa saciedade dramática que eu sinto. Tudo o que me resta agora é esperar as horas longínquas e infindáveis da madrugada e voltar pro ritmo paralelo daquele mundo que deixou de ser do senhor Kazuo e agora é (quase) todo meu.
